8 jun. 2018

Shakespeare a requerimiento de abogados brasileños

 

Ele, Shakespeare, Visto por Nós, os Advogados
José Luiz Alquéres e José Roberto de Castro Neves (orgs.)
Rio de Janeiro: Edições de Janeiro, 2017, 200 pp.
ISBN: 9788594730114

Com organização de José Luiz Alquéres e José Roberto de Castro Neves, que assina um dos ensaios do livro, Ele, Shakespeare, visto por nós, os advogados é uma ideia e uma realização desafiadoras. O livro traz textos de alguns ilustres advogados que se apaixonaram pela obra do mais famoso dramaturgo inglês e que, em ensaios escritos exclusivamente para a publicação, compartilham indagações instigantes não só no meio jurídico ao abordar questões como “para a formação de um advogado, basta conhecer as leis?”, “para um juiz cumprir sua função é suficiente dominar o ordenamento jurídico?” ou “os bons juristas são formados apenas com o estudo do Direito?”.
Destacados em suas respectivas áreas de atuação, cada um com sua sensibilidade e percepção singular dos temas a que se dedicam, os advogados deixam claro que, dependendo do ponto de vista, Shakespeare está mais para elementar do que para sofisticado. “Possivelmente o melhor intérprete da humanidade, Shakespeare, como toda boa literatura, nos torna mais próximos de nós mesmos e nos convida a pensar.”
Além de ser mais uma demonstração do encanto de advogados, juízes, professores de Direito e juristas com o monumental legado de Shakespeare, o livro traz assinaturas de peso. Miguel Reale Júnior trata de Ricardo III, cuidando do mal e do poder. Tercio Sampaio Ferraz Júnior fala, a partir da obra do Bardo, da legitimidade no exercício do poder. Marcelo Muriel aborda o mesmo tema de outra forma, ao falar de Ricardo II. Luís Roberto Barroso apresenta Júlio César, com uma apreciação acerca do poder. Joaquim Falcão examina Macbeth e as consequências dos nossos atos.
Antônio Pitombo oferece um exame da culpa em Tímon de Atenas. Cláudio dell’Orto traz uma visão do feminino em A megera domada. Gustavo Fleichman dá sua interpretação de Medida por medida. Gabriel Leonardos explica a concorrência desleal na obra de Shakespeare. Selma Lemes nos leva à Veneza para explicar o mundo do Bardo. Gilberto Giusti conta como a autocomposição de conflitos se dá em Os dois cavalheiros de Verona. Em tom mais pessoal, Andréa Pachá opta por mandar uma carta para o autor. José Alexandre Tavares Guerreiro ensina sobre a equidade em Shakespeare. Judith Martins-Costa desnuda a incoerência e a contradição humana a partir do cânone shakespeariano. Francisco Müssnich tira reflexões sobre as desventuras do mundo contratual do Soneto 87. Por fim, José Roberto de Castro Neves fala dos canalhas nas peças de Shakespeare – e de como eles nos são familiares.

XXX

 
William Shakespeare (1740)
Diseño de William Kent (1685-1748) y entalladura de Peter Scheemaker (1691-1781)
Abadía de Westminster (Londres. UK)

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