Wednesday, August 24, 2016

Sobre afectividad y justicia en Mineirinho, de Clarice Lispector



‘SAIR AO OUTRO’: AFETIVIDADE E JUSTIÇA EM 'MINEIRINHO', DE CLARICE LISPECTOR" 
por
JOSÉ CALVO GONZÁLEZ

 ANAMORPHOSIS – Revista Internacional de Direito e Literatura 2, 1, (janeiro-junho 2016),
pp. 123-145

Clarice Lispector (1920-1977), de formação universitária em Direito, proporciona em sua crônica Mineirinho um exemplo representativo de como seja possível articular as alternativas de expressão literária a partir de material de caráter jurídico. A abordagem jurisliterária desse texto, com emprego da perspectiva analítica do “narrativismo jurídico”, revela de que modo a construção de sentido no relato dos fatos é a “anormalidade da exceção”. A crônica Mineirinho é, mesmo assim, um espaço narrativo privilegiado para o exame do tipo de estratégia narrativa que converte o exercício de pensar a diferença no enlace de coerência do relato. Com tal propósito, a análise alvitra e desenvolve a ideia de “sair para o outro” como instância heteronômica que permite ser cada um outro para ser outro cada um. Por último, incorpora-se à reflexão a ideia jurídico-afetiva de compaixão, entendida como o que do outro me pertence porque me afeta, ou seja, o que me compromete com ele. Em adendo, figuram críticas ao Direito penal do inimigo e propõem-se estímulos intelectuais desde a cultura literária do Direito em matéria de Teoria dos Direitos.
 
 
Clarice Lispector (1920-1977), en cuya formación universitaria en Derecho, ofrece en su crónica Mineirinho un ejemplo representativo de cómo articular las posibilidades de expresión literaria a partir de un material de carácter jurídico. El abordaje iusliterario de ese texto, empleando la perspectiva analítica del ‘narrativismo jurídico’, revela de qué modo la construcción del sentido en el relato de los hechos es la ‘anormalidad de la excepción’. La crónica Mineirinho es, asimismo, un espacio narrativo privilegiado para examinar el tipo de estrategia narrativa que convierte al ejercicio de pensar la diferencia en nudo de coherencia del relato. A este propósito el análisis propone y desarrolla en la idea de ‘salir al otro’ como instancia heteronómica que permite ser cada uno otro para ser otro cada uno. Por último, se incorpora a la reflexión la idea jurídico-afectiva de compasión entendida como lo que del otro me pertenece porque me afecta, o sea, lo que me compromete de él. En addenda figuran críticas hacia el Derecho penal del enemigo y propone estímulos intelectuales desde la Cultura literaria del Derecho en materia de Teoría de los Derechos.
 
 
 
Imágenes: Clarice Lispecor con traje académico de Derecho, y Carteira de estudante do 5º ano da Faculdade Nacional de Direito

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