Sunday, October 25, 2015

Libros y librerías en Vitória. Espírito Santo. Brasil (III). Oscar Niemeyer (1907-2012)


Oscar Niemeyer
As curvas do tempo. Memórias
Editora Revan, Rio de Janeiro, 2014 (1ª reimp.), 320 pp. 
ISBN: 9788571061599               
    

As curvas do tempo, é o livro de memórias de Oscar Niemeyer, uma das maiores personalidades deste século. A Editora Revan apresenta uma bela edição ilustrada com um caderno de fotos e com desenhos do autor feitos especialmente para o livro. Ferreira Gullar assina o texto de apresentação.

Niemeyer faz uma seleta de textos de caráter afetivo, quando um dos temas é a família, ou a arquitetura e as artes que a integram. Fala de livros e sobre os autores que sente prazer em ler. O Brasil e o Rio de Janeiro (em especial a vista para o mar das janelas de seu escritório) que ele sempre sente saudades quando passa muito tempo fora. É um diário pouco datado que oferece para o leitor uma visão de Niemeyer enquanto arquiteto, artista, escritor, criador, cidadão e amigo. Uma síntese autobiográfica.

Sensibilidade e nostalgia são os ingredientes desta obra literária na qual Oscar Niemeyer se revela um versátil contador de histórias. Ele escreve como desenha, tudo flui. Narra com afeto a infância vivida na casa dos avós em Laranjeiras, as divertidas aventuras da juventude, além da sua dedicação ao Partido Comunista, que o transformou num militante ativo. Ao longo de seus 91 anos sua biografia se confunde com a história social e política do Brasil.

Oscar Niemeyer é um cidadão do mundo e a sua arquitetura está presente em muitos países. Agora a sua obra literária também faz carreira lá fora as mais importantes editoras da Europa, a inglesa Phaidon, a francesa Gallimard, a italiana Mondadori e a espanhola Tusquets, adquiriram os direitos para publicar As curvas do tempo.




Oscar Niemeyer
Crônicas
Editora Revan, Rio de Janeiro, 2008 (2ª ed, dec.), 116 pp. 
ISBN: 9788571063839

Oscar Niemeyer lança seu primeiro livro de crônicas. A obra traz uma seleção de textos publicados na Folha de S. Paulo, no Jornal do Brasil, no Correio Braziliense e em outros órgãos da imprensa durante as últimas décadas. Niemeyer fez alterações em alguns deles e escreveu outros, inéditos, em agosto de 2008, especialmente para o livro. As crônicas refletem a opinião do genial arquiteto a respeito da política, do Rio antigo, dos amigos e de suas experiências de vida. Darcy Ribeiro, João Saldanha, Brizola e André Malraux são algumas figuras lembradas. 


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Con la adquisición de estos dos títulos he satisfecho con éxito una larga búsqueda. Perseguí durante años, por distintas ciudades de Brasil, As curvas do tempo, al fin halladas en Vitória, con el añadido de localizar asimismo Crônicas.

Mi admiración por Niemeyer acumula décadas. El primer contacto con su obra fue en Niteroi, visitando el Museu de Arte Contemporénea, sobre el Mirante de Bia Viagem, frente a Rio de Janeiro, durante la primavera de 2006. Algo conté de ello por entonces (http://iurisdictio-lexmalacitana.blogspot.com.es/2006/04/libros-y-librerias-niteroi-rio-de.html). Aquel fue mi primer viaje a Brasil, al que han seguido tantos otros. Nuevas experiencias  con la arquitectura de Niemeyer  llegarían un otoño de seis años más tarde, en oportunidad de la visita al Museu de Arte Contemporénea de la ciudad de Curitiba (Paraná), donde me encontraba para participar en un simposio sobre 'Direito e Psicanálise'. Y un año después, también en octubre, con ocasión de impartir un seminario de 'Derecho y Literatura' en Brasilia, de un modo absolutamente abrumador.

Del resto está mi carácter, seducido por la curva. Así lo he declarado asilándome a los versos que Jesús Lizcano tituló 'Las personas curvas', de su libro La palabra del hombre (http://iurisdictio-lexmalacitana.blogspot.com.es/2015/07/las-personas-curvas-y-el-derecho-curvo.html).

Y a Niemeyer acudí igualmente para mi libro Direito curvo (trad. de André Karam Trindade, Luis Rosenfield y Dino del Pino, Posfácio de Lenio Luiz Streck, Livraria do Advogado Editora, Porto Alegre, 2013, 78 pp. ISBN 9788573488890).


La cubierta se ilustra con la reproducción de una de las creaciones de mi admirado amigo Paco Aguilar, que gentilmente me la cedió. Esa curva, trazada en el malagueño taller de grabado y ediciones GRAVURA casaba no sólo con la denominación brasileira que le dio nombre en 1979, sino en un guiño privado con las de Niemeyer. 


 
CONTEMPLACIÓN III (2004) Paco Aguilar

A ellas me referí explícitamente. Direito curvo reproduce, en efecto, el poema de Niemeyer, compuesto sobre 1940, que contrapuse a Le Poème de l’angle droit (1955) de Le Corbusier (1887-1965).

No es el ángulo recto que me atrae,
ni la línea recta, dura, inflexible,
creada por el hombre.
Lo que me atrae es la curva libre y sensual,
la curva que encuentro en las montañas de mi país,
en el curso sinuoso de sus ríos, en las olas del mar,
en el cuerpo de la mujer preferida.
De curvas es hecho todo el universo,
el universo curvo de Einstein


No me resultó fácil acceder a los textos de Niemeyer, aunque vencí las dificultades. Ahora consulto sus memorias y crónicas -algunas de éstas ciertamente sabrosas- con más comodidad. Y es, créame, un placer hacerlo así.

J.C.G.

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