Saturday, October 24, 2015

Libros y librerías en Vitória. Espírito Santo. Brasil (I). Clarice Lispector (1920-1977)

 



Vitória, en Espírito Santo (Brasil) nos acogía -a Felipe R. Navarro Martínez y a mi- para participar en el IV Colóquio de Direito e Literatura. Llegamos en la madrugada del 20 y con el amanecer y tras desayunar pedimos norte de librerías. Nos indicaron un shopping cercano al hotel (Hotel Golden Tulip) donde las hallaríamos. Era el Shopping Vitoria (Av. Américo Buaiz, 200 - Enseada do Sua, Vitória) y albergaba tres -Logos Livraria, Livraria Leitura y Livraria Saraiva- y todas ellas fatigamos.
No voy a ordenar la localización de las compras, salvo excepción. Simplemente me limitaré a reseñarlas. Debo decir que mi impresión fue positiva, en especial respecto a Logos y Leitura, donde me acompañó Felipe, autor de las imágenes (una 'robada', otra 'posada'). En Logos fuí cordialmente atendido y me ofrecieron un pequeño descuento como Profesor universitario', y en Leitura encontré títulos difíciles, si no a punto de quedar descatalogados. Menor entusiasmo me causó Saraiva, que visité por dos veces, la segunda acompañado de los Profes. Marcilio Franca y Alberto Vespasiani.
En Leitura obsequié a Felipe con un libro. Otro llevé desde allí para Maria Pina Fersini.
Regalar libros a discípulos y amigos es una de las satisfacciones más grandes que alguien como yo puede experimentar.


 
Livraria Leitura (20 de octubre de 2015)
 
 
Livraria Leitura

Comenzaré reseñando lo adquirido de Clarice Lispector, y es:

 
 
 
                           
Clarice Lispector
Outros escritos
Lícia Manzo e Teresa Montero (Org.).
Rio de Janeiro: Editora Rocco, 2005, 174 pp.
ISBN: ISBN: 85-325-1896-6
 

Outros escritos traz ao público diversos escritos inéditos de Clarice Lispector. Mas, desta vez, eles não se encontram assinados pela escritora consagrada, mas pela escritora iniciante, pela jornalista, pela estudante de direito, pela colunista feminina, pela dramaturga, pela mãe, pela conferencista e ensaísta Clarice Lispector.

Clarice Lispector sempre reconheceu o fragmento, a anotação dispersa, o ‘fundo de gaveta’ como parte essencial e indissociável de sua produção literária. Era a partir de seus apontamentos, num primeiro momento desconexos, que ela costumava extrair posteriormente uma unidade, transformando-os numa obra pronta e acabada. Organizado por Lícia Manzo e Teresa Montero, Outros escritos obedece esse mesmo critério ao agrupar cada uma dessas ‘clarices’ dispersas e fragmentadas, e observar uma unidade conectando-as umas às outras. Cada escrito de Clarice parece marcado pelo mesmo olhar sensível, singular e feroz da mulher e criadora que, tantas vezes sozinha, caminhou à frente de seu tempo.
Em Clarice escritora, o leitor encontra quatro contos produzidos pela autora entre 1940 e 1941: Eu e JimmyTrechoCartas a Hemengardo e O triunfo, sendo este o primeiro texto de Clarice a ter sido publicado, num pequeno periódico da época. A habilidade da autora como profissional de imprensa é visível em Clarice jornalista. Neste capítulo, são apresentadas duas reportagens assinadas por ela em 1941, ambas sobre crianças carentes. E, em Clarice estudante, são trazidos à luz dois artigos publicados numa revista editada por universitários, em 1941, quando Clarice ainda era estudante de direito: Observações sobre o direito de punir e Deve a mulher trabalhar?.
Em Clarice dramaturga, o leitor encontra a íntegra de A pecadora queimada e os Anjos harmoniosos, único texto teatral escrito pela autora, em 1948. E, em Clarice mãeé possível conhecer o caderno de anotações que a autora manteve com os filhos. Intitulado Conversas com P., o caderno registrava os mais interessantes diálogos travados com seus dois filhos pequenos, Pedro e Paulo, na década de 1950. Pela primeira vez, o público tem acesso ao conteúdo integral dessas anotações.
Em Clarice colunista feminina, a autora se baseia num ensaio de Virginia Woolf para falar dos obstáculos que as mulheres enfrentavam na época – 1952 – para se desenvolverem intelectualmente. Com o título A irmã de Shakespeare, o texto foi publicado originalmente na coluna feminina que Clarice assinava com o pseudônimo Teresa Quadros, no tablóide O comício, precursor da imprensa alternativa no Brasil.
No capítulo Clarice ensaísta, é possível ler a íntegra de Literatura de vanguarda no Brasil, trabalho que Clarice apresentou pela primeira vez em 1963, no XI Congresso Bienal do Instituto Internacional de Literatura Ibero-Americana, na Universidade do Texas. A palestra fez muito sucesso no meio acadêmico americano, a ponto de a autora adotar seu texto original como uma espécie de pronunciamento oficial, exposto por ela em vários outros eventos similares. Era uma carta que Clarice fazia questão de ter sempre na manga, tanto que jamais permitiu sua publicação, para manter a aura de ineditismo do trabalho quando fosse lê-lo nas conferências para as quais era convidada. No texto, ela ilustra suas idéias com poemas de Mário de Andrade, João Cabral de Melo Neto, Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade.
Responsável pela versão em português de livros de Oscar Wilde, Edgar Allan Poe, Júlio Verne, Federico Garcia Lorca, Lilian Hellman, Henrik Ibsen, Agatha Christie e Anne Rice, a Clarice tradutora vem à tona no texto, escrito em 1968, Traduzir procurando não trair, onde analisa a difícil tarefa de dar forma a uma obra estrangeira. E, em Clarice conferencista, o leitor tem a rara oportunidade de ler o conto O ovo e a galinha e o texto Literatura e magia, escrito especialmente para a impensável participação de Clarice no Primeiro Congresso Mundial de Bruxaria, em Bogotá, em 1975.
Outros escritos apresenta ainda um depoimento igualmente inédito, o mais longo e completo que Clarice jamais concedeu, no qual ela percorre cada um desses momentos de seu percurso literário. Em Clarice entrevistada, último capítulo do livro, é possível ler a transcrição da entrevista que a autora concedeu para os amigos Affonso Romano de Sant’Anna e Marina Colasanti, além de João Salgueiro, diretor do Museu da Imagem e do Som (MIS) à época. No depoimento, Clarice trata de cada uma de suas diferentes facetas apresentadas nos capítulos anteriores de Outros escritos, de seus primeiros textos à conferência onde analisava sua própria produção literária; das reportagens e artigos femininos, produzidos como forma de sustento, às anotações de mãe e pinturas domésticas, ambas realizadas para o seu prazer pessoal.
 
Lícia Manzo é mestre em literatura brasileira pela PUC/Rio. É autora de Era uma vez: eu - a não ficção na obra de Clarice Lispector (Editora UFJF/ indicado para o Prêmio Jabuti/2003). Foi curadora do evento A Paixão segundo Clarice Lispector, no Centro Cultural Banco do Brasil, em 1992. É roteirista de teatro, cinema e televisão.
Teresa Montero é doutora em Letras pela PUC-RIO, autora de Eu sou uma pergunta – uma biografia de Clarice Lispector (1999) e organizadora de Correspondências – Clarice Lispector (2002).

 
Tenía gran interés por esta obra, que reunía dos textos como eran Observações sobre o direito de punir y Deve a mulher trabalhar?, procedentes de la etapa de formación jurídica de Lispector como alumna de la Faculdade Nacional de Direito de la Universidade do Brasil, actual Universidade Federal do Rio de Janeiro, donce había ingresado en 1939. Conocía esos textos, los había trabajado y deseaba tenerlos en mi biblioteca.
Sucedía igual con la selección de colaboraciones clariceanas para Jornal do Brasil editadas con el título de Aprendendo a viver, de cuya traducción española ya disponía.
 

 
 
Clarice Lispector
Aprendendo a viver
Pedro Karp Vasquez (ed.)
Rio de Janeiro: Editora Rocco, 2004, 224 pp.
ISBN: 85-325-1759-5
 
Aprendendo a viver é uma seleção das crônicas mais confessionais escritas por Clarice Lispector na década de 70. Organizado por Pedro Karp Vasquez, o livro reúne uma série de textos em que a escritora conta sua própria vida. É Clarice Lispector na primeira pessoa, detalhando passagens marcantes de sua história, divagando sobre os temas mais variados, revelando particularidades de seu cotidiano e esmiuçando seu processo criativo. Com ele, a Editora Rocco celebra os 40 anos de publicação de A paixão segundo G.H., romance que representa um divisor de águas na obra da autora e que hoje é considerado um clássico da literatura brasileira.
Os textos reunidos em Aprendendo a viver foram publicados originalmente no Jornal do Brasil, entre agosto de 1967 e dezembro de 1973, período em que Clarice Lispector assinava uma crônica semanal no diário carioca. A escritora aproveitava aquele espaço das formas mais variadas: ela discutia acontecimentos recentes, filosofava sobre a existência, tratava de acontecimentos cotidianos e até antecipava trechos de seus romances inéditos. Em 1984, esse vasto material foi reunido no livro A descoberta do mundo. A partir desta obra, a editora Rocco cuidadosamente selecionou as crônicas mais confessionais de Clarice Lispector para dar forma à delicada autobiografia Aprendendo a Viver.
Para o novo livro, o editor Pedro Karp Vasquez escolheu apenas os textos em que Clarice falava sobre sua vida. São crônicas surpreendentemente confessionais de uma escritora que dizia ser um mistério até para si própria. "Nesta nova compilação, este rico material não está em ordem cronológica de publicação", Pedro explica. "Como são relatos pessoais de Clarice, eles foram dispostos tendo a vida da autora como fio condutor. Assim, o livro começa com ela falando sobre sua infância no Recife, passa pela adolescência, a vida adulta, o casamento, a maternidade, a carreira e termina com as reflexões que Clarice fez sobre a morte" – um dos últimos textos se chama Desculpem, mas se morre. Apenas ao fim do volume é informada a data de publicação original de cada uma das 218 crônicas reunidas. E há também uma cronologia com os principais fatos da vida de Clarice, para que o leitor possa contextualizar melhor tudo o que leu.
Desta forma, Aprendendo a viver faz as vezes de autobiografia de Clarice Lispector, repleto de revelações pessoais que ajudam até mesmo a compreender melhor a inigualável obra literária que ela deixou. No livro, ela conta, por exemplo, que nunca superou o sentimento de culpa pela morte de sua mãe – Clarice foi gerada numa época em que se acreditava que a gravidez podia curar uma mulher doente, mas seu nascimento não evitou que sua mãe morresse, dez anos depois. Ela fala das humilhações de que foi vítima na infância, cogita a origem de sua necessidade de proteção masculina, revela quais foram os livros que marcaram cada fase de sua vida e rejeita o rótulo de intelectual – "Ser intelectual é usar sobretudo a inteligência, o que eu não faço: uso é a intuição, o instinto", ela diz. Clarice garante que nem mesmo culta ela era, pois lia pouquíssimo e nem tudo que lia era bom.
Há trechos de extrema beleza. O leitor descobre que Clarice, apesar de casada e com filhos, passava as noites de Natal na companhia de uma amiga solitária, sempre em restaurantes cheios, para que ela visse quanta gente sozinha havia no mundo. Também é encantador quando Clarice se imagina lendo seus próprios livros em outra encarnação, sem saber que foi ela mesma quem os escreveu, numa outra vida. Ou quando ela se mostra incapaz de comer algo que tenha plantado, por amor ao ser vivo que ajudou a criar.
Mesmo quando Clarice fala de banalidades, seu texto nunca é frívolo. Sua narrativa pode começar com um relato sobre um cisco no olho e evoluir para uma reflexão sobre a vida, a morte, o amor, o infinito, a mentira. Ela escreveu numa crônica sobre sua viagem ao Egito: "Vi a Esfinge. Não a decifrei. Mas ela também não me decifrou. Encaramo-nos de igual para igual. Ela me aceitou, eu a aceitei. Cada uma com o seu mistério. Não é à toa que a obra de Clarice é tão estudada por filósofos e psicanalistas", diz Teresa Montero, autora de Eu sou uma pergunta, biografia de Clarice Lispector publicada pela Rocco.
Aos pesquisadores da obra de Clarice, talvez interessem mais os textos em que a autora fala sobre seu ofício. Ela explica que suas histórias se desenvolviam à medida que ela escrevia, e nasciam quase sempre de uma sensação ou de uma palavra ouvida. Quando um romance surgia inteiro na sua cabeça, este nem chegava a ir para o papel, ficava só no título, por ela considerar desestimulante escrever sobre o que já sabia. Em dado momento do livro, Clarice reclama dos que a consideram uma escritora hermética: "Quando escrevo para crianças, sou compreendida, mas quando escrevo para adultos fico difícil? Deveria eu escrever para os adultos com as palavras e os sentimentos adequados a uma criança? Não posso falar de igual para igual?" Por vezes, ela até mesmo cogita abandonar a literatura: "Quem sabe, também eu já poderia não escrever? Como é infinitamente mais ambicioso. É quase inalcançável."
Teresa Montero destaca a importância das crônicas compiladas em Aprendendo a viver:  "Em se tratando de sua vida privada, Clarice era extremamente reservada. O curioso é que, nessas crônicas, ela acabava se revelando muito. No próprio texto ela demonstra sua surpresa ao constatar que escreveu sobre coisas que não tinha intenção de expor. Clarice se recusava a fazer uma autobiografia porque acreditava que sua literatura não deveria servir de catarse. Ela dizia: ‘Para desabafar, eu tenho os amigos, mas me disseram que eu deixo escapar certas coisas." Estas crônicas mostram o modo como Clarice via o mundo, e hoje são estudadas por pesquisadores de toda parte. Além disso, é relevante considerar que esse espaço semanal que Clarice assinava no jornal foi responsável, em grande parte, por sua popularização. Através destas crônicas, muita gente teve acesso ao trabalho da escritora pela primeira vez."
O melhor é que este primeiro contato não deixava a desejar em qualidade literária, se for feita uma comparação entre as crônicas e os romances de Clarice. Os textos apresentados em Aprendendo a viver são de rara beleza. Como este trecho, ao mesmo tempo poético e confessional: "Comecei a mentir por precaução, e ninguém me avisou do perigo de ser tão precavida; porque depois nunca mais a mentira descolou de mim. E tanto menti que comecei a mentir até a minha própria mentira. E isso – já atordoada eu sentia – isso era dizer a verdade. Até que decaí tanto que a mentira eu a dizia crua, simples, curta: eu dizia a verdade bruta."

 
Por último, regresó conmigo a Málaga, en precioso agasajo de su amistad, el ejemplar de A legião estrangeira, que Miriam Coutinho Faria Alves, Profa. de Filosofía do Direito en la Universidade Federal de Sergipe, me regalo en la despedida del IV Coloquio y luego de sugestivas conversaciones sobre la pintura de Lispector.
 
 
 
 
 
Clarice Lispector
A legião estrangeira
Rio de Janeiro: Editora Rocco, 1999, 104 pp.
ISBN: 85-325-0945-2
 
Os 13 contos de A legião estrangeira abordam o cotidiano familiar, a perversidade infantil e a solidão. Como apontou o escritor Affonso Romano de Sant’Anna na introdução de uma antiga edição do livro, para Clarice Lispector importa mais a geografia interior. "Em vez de tipos épicos e dramáticos, temos figuras situadas numa aura de mistério, vivendo relações profundas dentro do mais ordinário cotidiano", escreveu. "Mais do que as aventuras, interessa-se por descrever a solidão dos homens diante dos animais e objetos."
Entre os contos destaca-se "Viagem a Petrópolis", escrito quando Clarice tinha apenas 14 anos. Neste, a precoce escritora narra a absurda solidão de uma velhinha que, sem lugar para morar, é empurrada de uma casa para outra. E o leitor perceberá em "Os desastres de Sofia" uma história de transparente sensibilidade, em que a autora aborda a perversidade infantil por meio do relacionamento de uma aluna com seu professor.
A vulnerabilidade dos animais diante dos homens, e vice-versa, está presente em "A quinta história", "Macacos" e ainda em "A legião estrangeira". Como também apontou Affonso Romano de Sant’Anna, a tensão nos contos de Clarice surge da oposição Eu x Outro, que pode ser um animal, uma criança ou uma coisa. "Dessa tensão é que surge a epifania, a revelação de uma certa verdade."
A legião estrangeira, como os demais títulos de Clarice Lispector relançados pela Rocco, recebeu novo tratamento gráfico e passou por rigorosa revisão de texto, feita pela especialista em crítica textual Marlene Gomes Mendes, baseada em sua primeira edição.

Adeudo asimismo a la generosidad de Miriam Alves un ejemplar de Temas Avançados de Direito e Arte, que me entregó al término del Colóquio y del que había dado noticia en este blog meses atrás (http://iurisdictio-lexmalacitana.blogspot.com.es/2015/08/brasil-derecho-y-literatura-musica-tv.HTML)
 
 
 
 
Temas Avançados de Direito e Arte
Rodolfo Pamplona Filho, Nelson Cerqueira e Claiz Maria Pereira Gunça dos Santos (coords.)
Editora Magister Ltda., Porto Alegre, 2014, 226 pp.
ISBN 978-85-85275-43-3
El décimo de los doce ensayos allí contenidos y que aparece con el título de 'A dimensão do tempo na musica e o sentido hermenêutico da improvisação', corresponde a Miriam Coutinho de Faria Alves.


Más han sido las atenciones de amigos con regalo de sus libros y últimas publicaciones. A ellas me iré refiriendo en próximas estregas de esta bitácora libresca en Vitória.

J.C.G.

 

 

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