Wednesday, October 09, 2013

Narrativa cinematográfica y Derecho. Novedad bibliográfica. Brasil



José Luiz Quadros de Magalhães e Juliano Napoleão Barros (coord.).
Direito e cinema
Arraes Editores, Belo Horizonte, 2013. 215 pp.
ISBN: 978-85-62741-92-0


Um filme reúne uma estória (ou uma história). Aqui, lembramos Rubem Alves que mostra a sua raiva com os gramáticos, assim como Fernando Pessoa: “Os gramáticos se sentem no direito de proibir palavras. Tiraram ‘estória’ do dicionário. Agora só se pode dizer ‘história’. Mas o que tem ‘história’ a ver com ‘estória’? ‘A estória não quer tornar-se história’ dizia Guimarães Rosa. A história acontece no tempo que aconteceu e não acontece mais. A estória mora no tempo que não aconteceu para que aconteça sempre.” (Rubem Alves, “O velho que acordou menino [infância]”, Editora Planeta do Brasil, São Paulo, 2005).
A partir destas reflexões, podemos nos atrever a dizer que um bom filme, sempre conta uma “estória” ainda
que baseado em uma “história”. Sendo arte (pois existem filmes que não são arte), vai muito além. Ultrapassa o tempo retratado e o tempo da exibição. Permanece.
O cinema contador de estórias está para as artes como o discurso transdisciplinar está para as ciências, ou melhor, para o saber, o conhecimento em geral. É arte que reúne, ou pode reunir, a literatura; a poesia; a música; a pintura; a fotografia; a escultura; uma arte que pode brincar coma as palavras e as cores, que pode provocar os sentidos, e assim nos levar a compreender e refletir através e para além da história.
Contar estórias, fiéis ou não à história, é a arte do cinema. Para entendermos a história precisamos contá-la como estórias, pensamentos vivos (memórias vivas como diria Rubem Alves), pois a estória não esconde sentimentos que não podem ser escondidos, pois a estória não se pretende neutra, algo impossível para nós. A estória nos envolve, e a partir de onde é contada chega até onde nos encontramos, e é a partir desta dupla posição que se constrói uma percepção única em cada um que a vê, ouve e sente.
Temos assim uma dupla oportunidade: podemos reconhecer as questões sociais e jurídicas em sua situacionalidade e, da mesma maneira, nos pensarmos também situados. Interpretar a realidade em sua representação codificada na linguagem cinematográfica e, em seguida, questionar o filme, criticá-lo, descodificando as situações existenciais ilustradas por suas estórias. De repente, rompe-se a inércia passiva na poltrona do cinema e inicia-se um reiterado movimento de ir e vir, em que nos identificamos com os sujeitos e situações representadas e, em seguida, saímos da tela, estabelecendo o distanciamento necessário à crítica e à problematização das repercussões da estória em nossa história.
Este livro procura refletir a realidade e o direito a partir das estórias contadas pelo cinema.
(Apresentação, pp. IX-X)


Sumário

APRESENTAÇÃO

Capítulo 1
E JAVÉ? PATRIMÔNIOS E REFERÊNCIAS CULTURAIS ENTRE MEMÓRIA E HISTÓRIA
Yussef Daibert Salomão de Campos

Capítulo 2
O BEIJO 2348/72: PROCESSO, TRABALHO E SÍMBOLOS
Adriana Goulart de Sena
Mila Batista Leite Corrêa da Costa
Oyama Karyna Barbosa Andrade

Capítulo 3
WHATEVER WORKS: DIREITO, CIÊNCIA E HIPERCOMPLEXIDADE
Adriana Goulart de Sena
Mila Batista Leite Corrêa da Costa

Capítulo 4
“ADEUS LÊNIN”: ALGUMAS INDAGAÇÕES SOBRE A HISTÓRIA
Thiago Aguiar Simim

Capítulo 5
DO CINEMA À REALIDADE: DIREITO E DISTOPIA NO MUNDO CONTEMPORÂNEO
Andityas Soares de Moura Costa Matos

Capítulo 6
O PROCESSO – O LIVRO E O FILME: CONHECIMENTO, COMPLEXIDADE E RISCO
Mônica Sette Lopes

Capítulo 7
CRASH: ENTRE ENCONTROS E DESENCONTROS
Mônica Sette Lopes

Capítulo 8
O FANTÁSTICO MUNDO DO DIREITO
Rosana Ribeiro Felisberto

Capítulo 9
CRISE DOS VALORES E O MOMENTO POIÉTICO EM OBRIGADO POR FUMAR
Viviane Madureira Zica Vasconcellos
Victor Hugo Criscuolo Boson

Capítulo 10
O CONSTITUCIONALISMO MODERNO - IDEOLOGIA, CONSTITUIÇÃO E CINEMA: DOMINAÇÃO E ENCOBRIMENTO NO FINAL DA MODERNIDADE.
José Luiz Quadros de Magalhães

Capítulo 11
O DIREITO COMO PROJETO ÉTICO INTERSUBJETIVO E SUA PROJEÇÃO METAFÓRICA NA CAMINHADA DE DOROTHY E SEUS COMPANHEIROS EM BUSCA DO MÁGICO DE OZ
Juliano Napoleão Barros



José Luiz Quadros de Magalhães, Mestre e doutor em Direito pela UFMG; professor da UFMG e PUC-MG; coordenador do programa de pós-graduação em Direito da FDSM.

Juliano Napoleão Barros, Assessor-chefe da Comissão de Defesa dos Direitos Fundamentais do Conselho Nacional do Ministério Público. Mestre e doutorando em Direito pela UFMG. Professor de Direito Constitucional, Direitos Humanos e Metodologia da Pesquisa Científica. Foi pesquisador visitante na Bodelian Law Library - Faculty of Law/University of Oxford e no Ius Gentium Conimbrigae - Centro de Direitos Humanos da Universidade de Coimbra.

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