Tuesday, January 15, 2013

Direito e Literatura no Brasil, 2013



Judith Martins-Costa (ed.)
Narração e Normatividade: ensaios de Direito e Literatura
GZ Editora, Rio de Janeiro, 2013, 536 pp.
ISBN: 9788582220047


Este livro trata das relações entre Direito e Literatura, examinando se os textos literários podem (e até que ponto podem) auxiliar a compreender a doutrina jurídica como expressão de mentalidade e elemento formador do Nomos, o universo normativo em que vivemos. Impulsionados por obras clássicas da Literatura - de Sófocles aos contos borgianos, das tragédias shakesperianas a Alice no País das Maravilhas, de Proust a Dyonélio Machado - os co-autores deste livro, buscam saber o que há por detrás dos grandes conceitos com que laboram as leis e a doutrina: culpa e família, contrato e tempo, risco e mercado, dívida e crédito, propriedade e personalidade, âncoras que fixam as narrativas literárias e as jurídicas, porque o universo normativo é, também, um universo narrativo: normatizar é inseparável do narrar.



Índice Sistemático

Nota da coordenadora: entre prestação de contas e introdução
Judith Martins-Costa
A concha do marisco abandonada e o Nomos (ou os nexos entre narrar e normatizar)
Judith Martins-Costa
Espaços de dom e de troca: literatura e direito
Maria Luiza Berwanger da Silva
Os sentidos da literatura para o Direito: o exemplo de 'Édipo Rei'
Kathrin Holzermayr Rosenfield
A noção de “cronótopo” no cruzamento entre literatura e direito
Guilherme Carneiro Monteiro Nitschke
O tempo no direito e o tempo do direito – provocação para uma relação entre direito
e literatura a partir de um tema borgiano
Luis Renato Ferreira da Silva
O chapeleiro maluco, a rainha de copas, os advogados e o julgamento de Alice
José Roberto de Castro Neves
Alice e a linguagem do direito
Daisson Flach
Interioridade e direito: os processos ocultos na tragédia shakespeariana
Lawrence Flores Pereira
A culpabilidade e o drama de Lord Jim
Miguel Reale Júnior
Entre a lei e o juiz: justiça, ciência jurídica e 'O processo Maurizius'
Guilherme Carneiro Monteiro Nitschke
Oikos, domus e polis: configurações da relação entre o público e o privado
Fabiano Koff Coulon
Aproximações entre representação voluntária e contrato de mandato a partir
de 'Os moedeiros falsos'
Cristiano Pretto
O pacto no sertão roseano: os pactos, os contratos, o julgamento e a lei
Judith Martins-Costa
'O Fausto', de Goethe: um pacto para o domínio do mundo
Cristiano Pretto
Machado, a sociedade anônima e a modernidade impossível
Judith Martins-Costa
Risco e mercado no direito privado, desde 'O Encilhamento', de Visconde de Taunay
Ricardo Ehrensperger Ramos
'O mercador de Veneza': aspectos hermenêuticos da lei e do contrato no horizonte
da Veneza shakespeariana
Felipe Kirchner
O raciocínio e a interpretação: uma análise a partir de 'Funes, el memorioso',
e de 'Alice no País das Maravilhas'
Luana Bernardino Noronha
O princípio da igualdade sucessória em 'Rei Lear'
Karime Costalunga
Propriedade e proprietário no Nomos setecentista: uma análise a partir de 'Robinson Crusoé'
Raphael Manhães Martins
A construção da personalidade como identidade em Proust
Raquel Stein.
A dívida, essa novela contínua
André Corrêa
Súmula da disciplina: Fundamentos culturais do direito privado
Judith Martins-Costa


Judith Martins-Costa é vice-presidente do IEC – Instituto de Estudos Culturalistas. Livre-Docente pela Universidade de São Paulo. Foi professora de Direito Civil na Faculdade de Direito da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) entre 1992 e 2010

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El lanzamiento de esta obra tuvo lugar el pasado 30 de octubre de 2012, durante la 58 Feira do Livro de Porto Alegre, y es ahora cuando accede a los canales de distribución comercial.

Es así ésta la primera aportación sobre Derecho y Literatura en Brasil este año 2013. Un excelente inicio al que –lo tengo por seguro– seguirán otras. De esta quiero destacar la participación, entre otras, de Miguel Reale Júnior (A culpabilidade e o drama de Lord Jim) Professor Titular de la Faculdade de Direito de la Universidade de São Paulo (USP) donde imparte docencia em Graduação y Pós-Graduação. Reale es miembro de las Comissões Elaboradoras dos Anteprojetos de Código Penal (Parte Geral) e Lei de Execução Penal. Asimismo la de Luis Renato Ferreira da Silva, Doutor en Derecho por la Universidade de São Paulo (USP), abogado y professor em la Escola Superior do Ministério Público de Rio do Sul- Fundação Escola Superior do Ministério Público do Rio Grande do Sul, donde lecciona outro de los colaboradores, Daisson Flach (Alice e a linguagem do direito). Pero reseño la contribución de Silva (O tempo no direito e o tempo do direito – provocação para uma relação entre direito e literatura a partir de um tema borgiano) por ser Borges todavía um autor poco frecuentado por los investigadores. Esto mismo resalta en mérito con el trabajo de Luana Bernardino Noronha (O raciocínio e a interpretação: uma análise a partir de Funes, el memorioso, e de Alice no País das Maravilhas), quien es abogada y Mestranda em Direito Tributário en la UFRGS.
Y todavía un anotación más. Me llama la atención una tan interesante recuparción como es la de Jakob Wassermann (1873-1934), autor de Der Fall Maurizius (1928).



Wassermann comienza a ser nuevamente recuperado en España por la Editorial Acantilado, que ha publicado dos títulos: Caspar Hauser (trad. de J. Miracle) y El hombrecillo de los gansos (trad. José Vivar), así como por Erasmus Ediciones (Barcelona), en 2011, en una obra extraordinariamente valiosa: Mi camino como alemán y judio (trad. de Constanza Pelechá Vela). Falta aún hacerlo con El caso Maurizius, que es sólo y difícilmente disponible a traves de los restos en mercado de la benemérita colección 'Libros Reno' de la barcelonesa Plaza y Janés, y aún más tratándose de ejemplares de la colección 'Gacela' en la Editorial Zodiaco, también de Barcelona. Lo tradujo Manuel Scholz por primera vez el año 1947, y fue periódicamente reeditado hasta finales de la década del 60. Su trama detectivesca es magistral.

Creo que es por eso necesaria la expresa mención al trabajo de Guilherme Carneiro Monteiro Nitschke (advogado y mestrando) que lleva por título Entre a lei e o juiz: justiça, ciência jurídica e O processo Maurizius, a quien felicito, extendiendo esta enhorabuena a otra de sus contribuciones a la obra, esto es, la titulada A noção de “cronótopo” no cruzamento entre literatura e direito, por su acertado enfoque bajtiniano.
Y terminando este apunte, igualmente oportuna me parece una referencia a Henry Miller en Reflections on the death of Mishima ; Reflections on the Maurizius case, que entre nosotros que tradujo del inglés Mario Muchnik [Reflexiones sobre la muerte de Mishima y sobre el caso Maurizius, Del Taller de Mario Muchnick, 1999, 123 pp.]. Lo relativo en él a la obra de Wassermann, escrito en 1946, es de lectura del todo recomendable en punto al desamparo del inocente y la pretensión de una justicia realmente reparadora, auténticamente restaurativa. Y en cuanto a las apreciaciones en torno a Mishima se orientan hacia el ideal de un mundo futuro sin guerra y la evidencia -adelantada por Miller- de una desesperanzadora realidad que el porvenir demostró repetidas veces.


En lo demás, recordar y recuperar a Wassermann es asimismo una llamativa indicación. Animo a los investigadores a bucear en la narrativa alemana de autores judío-alemanes entre los años 20 y 30 del siglo pasado en busca y localización de obras aparentemente 'menores', pues me consta que hallarán en su indagación un filón de enorme valor. Sobre gran parte de ellos cayó la losa del exterminio, y hoy permenecen en la fosa común de la desmemoria. Haber empezado con Wassermann no es mal comienzo. Confío que seguirán otros.
J.C.G.

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