Monday, September 11, 2006

LIBERTAD Y SEGURIDAD. LA FRAGILIDAD DE LOS DERECHOS (III). 12 de Setembro, por Joana Amaral Dias

O mundo mudou depois do 11-9-2001. Mudou para pior. Os objectivos a que a Administração Bush se propôs foram gorados. Ben Laden não foi capturado e a invasão do Iraque, para além de ter sido justificada com uma estridente patranha, é um rotundo fracasso. Os EUA enfraqueceram os seus laços e a sua diplomacia. Sobretudo a sua autoridade moral. Embora o núcleo da Al-Qaeda tenha sido lesado, a organização pulverizou-se. Assistimos à sua mimetização, à proliferação de pequenas al-qaedas, capazes de perpetrar mais barbaridades. Mesmo na Europa, que, à excepção do Reino Unido de Blair, se distanciou da inábil estratégia estado-unidense. Cinco anos depois dos medonhos atentados às Torres Gémeas, a causa jihadista conquista cada vez mais poder político e, na "guerra contra o terrorismo", o nosso próprio mundo tornou-se menos livre e menos seguro. O Ocidente trocou uma larga fatia das suas liberdades pela segurança e corre o risco de perder ambas. Entre a videovigilância e o controlo da Internet, chegou-se a um ponto intimidador de muitos dos direitos e garantias fundadores das nossas democracias. Mas os métodos de detenção, interrogatório e tortura utilizados pelos EUA - agora confirmados pelo próprio Bush depois de os ter negado - mostram que o Ocidente se aproxima do fundamentalismo que pretende combater. Prisioneiros em pé e sem dormir durante quarenta horas; enclausuramento em quartos gelados; cabeças embrulhadas em celofane e submersas em água, só podem levar-nos a perguntar: até onde estamos dispostos a ir? Qual o nosso próprio limite? E a lamentar e condenar quem está determinado a defender os valores das nossas democracias, subvertendo e espezinhando esses mesmos valores. A revista Atlantic Montlhy sentenciava, lucidamente, que não são os actos de terrorismo que estão a destruir os EUA. São antes as suas respostas ao terrorismo que o fazem. A "guerra contra o terrorismo" parece corroborar as acusações de Ben Laden - a humilhação dos muçulmanos e apropriação dos seus recursos. Os métodos utilizados em Guantánamo ou no Iraque aproximam-nos do fanatismo. E, ainda assim, há quem insista no "choque de culturas", cavando o fosso e consumando, escrupulosamente, o sonho terrorista. É assim que este 12 de Setembro ameaça tornar o "nosso mundo" numa civilização do passado.

Joana Amaral Dias es psicóloga [genecanhoto@mail.com]

Publicado en Diário de Notícias (Lisbia), ed. de 11 de septiembre de 2006

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